19 19UTC Novembro 19UTC 2008...1:02 pm

Ética no Jornalismo

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O assunto “ética” é muito discutido hoje em dia e, diferentemente da moral, palavra que muitas vezes inconscientemente (e erroneamente) associamos como um sinônimo, não procura ditar regras de conduta, definindo o que é certo ou errado. A ética visa o entendimento das relações humanas e o modo de pensar dos homens.

Ao tratarmos desse assunto, não devemos nos basear apenas em determinadas atitudes isoladamente para chegarmos a uma conclusão, mas também no contexto em que essas atitudes foram tomadas, e com que intenções. É aí que entra a discussão da ética no jornalismo. É errado mentir e subornar fontes para conseguir informações de interesse público? É errado usar textos de outras pessoas sem citá-las como autoras dos mesmos? É errado publicar informações falsas que irão prejudicar inocentes? E publicar fatos apurados que prejudicarão pessoas que realmente cometeram erros?

Orson Welles

Orson Welles

Há 70 anos, ocorreu um dos acontecimentos pioneiros nesse tipo de discussão. Orson Welles, na época radialista, transmitiu o livro “Guerra dos Mundos”, de H.G. Wells, que fala sobre a invasão da Terra por extraterrestres, na CBS. Ele alertou apenas no início da transmissão que se tratava da reprodução de uma obra de ficção. Mas tamanha era a veracidade com que ele atuava (apesar de alguns detalhes que o denunciavam, mas as pessoas não reparavam, como por exemplo, ele estar em um lugar e, rapidamente já estar em outro), que isso gerou uma espécie de histeria coletiva na população americana. Após a verdade ter vindo à tona, ele foi induzido a dizer que não causou a comoção intencionalmente. Com o tempo, afirmou que sua intenção foi fazer uma experiência para as pessoas perceberem que não devem sempre acreditar cegamente em informações pré-formatadas. Foi anti-ético o que Welles fez?


Como disse Eugênio Bucci, em seu livro “Sobre Ética e Imprensa”, a ética é saber escolher entre “o bem” e “o bem” (ou “o mal” e “o mal”). Um “delito” foi cometido, mas gerou um grande debate. Até hoje é um caso usado por muitos estudiosos. Logo, seus resultados foram positivos.

PCC de mentira

PCC de mentira

Em contrapartida, aqui no Brasil, em 2001, foi exibida uma entrevista com supostos membros do PCC (Primeiro Comando da Capital, uma organização criminosa fundada em São Paulo) no programa “Domingo Legal”, em que ameaçavam pessoas conhecidas em rede nacional. Algum tempo depois, foi descoberto que esses “criminosos” eram apenas atores contratados pelo SBT. Essa farsa foi criada sem nenhum fundamento, apenas com o intuito de atrair a população e aumentar o ibope do programa. Gugu Liberato, apresentador do programa, só se pronunciou recentemente sobre o caso, afirmando que não sabia de nada, porque não viu a matéria antes de ela ir ao ar, numa tentativa de jogar a culpa totalmente em cima da equipe de produção.

Outro caso onde apenas a má-fé e motivos particulares foram usados foi o do jornalista Stephen Glass. Ele escreveu para a “The New Republic”, importante revista norte-americana, por algum tempo (além de ter colaborado em diversos veículos), e era considerado um jornalista muito talentoso. Porém, foi descoberto que a maior parte dos seus artigos eram inteira, ou parcialmente, forjados. Em uma entrevista para a CBS, ele disse que sua vida era um grande processo de mentira. Mentira para cobrir as mentiras já ditas previamente.

Esses são alguns dos milhares de casos que nos trazem essa discussão sobre a ética no jornalismo. Quanto mais isso for discutido, mais o nosso senso crítico estará afiado para julgarmos essas situações. A ética é um assunto muito delicado, pois uma mentira que gere bons frutos no fim acaba se tornando um bem à sociedade. Mas uma mentira que só atrapalhe a vida das pessoas, além de causar danos jurídicos, faz com que o maior valor que um jornalista pode ter seja totalmente perdido: a credibilidade.

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